domingo, 25 de setembro de 2022

busco o halo azul

da nossa alma na prevalência

eterna dos teus lábios 

e nos próximos deslumbramentos

resplandecem mirados de pétalas

na profusão mágica do reencontro

queimadas amarelecidas

 arrastam - se  rasteiras 

e dos nossos sonhos

se tornam  amadas

e  companheiras as árvores


inverno na alma !
 

cerceá o desejo de voar

lua quente de verão

memória de origens

tranquila fascinação

envolvente fluido inicial

minha lua quente e nua


nada profiras que agite o silêncio

ou colhe em pedra o sentido original


num tempo anterior anterior a vida
 

a tua pele

um sò cristal de alegria

nele o brilho múltiplo

da razão brilha arrebata

nas palavras que pulsam

latejantes
 

O amor è fantasia

da pura verdade

ele não existe

è a consciência viva

sò tem um corpo è um

corpo que se levanta

como um volume sobre

a sua vontade de construir

o mundo
 

O amor

faz  - nos ninho na cova do nosso

peito fecham os poços cantam

ao longo da sombra com pulsos

vendados e  enigmas  è uma trave

nos seus ombros o nome extremo
 

um rato imundo

urina abjecta no meu sangue

 ròì  o amor a beleza suave

do teu corpo


 

chovem

pétalas de luz brilham

 peixes em mãos de pescadores

para além do tempo

sò o tempo è mestre e eu despertei 

nele por ti para viver na plenitude

deste amor que o meu coração sente

por ti num amor real sem ilusões

apenas amando - te

oh minha esbelta princesa

minha amada eu te amo


beijos !


 

Vem

a mão de vento abrir o mar

as aves partem

as minhas mãos acendem

luar

um trovão tremendo na memória

explodem

a canção do mundo

as estrelas iluminam risos de crianças
 

A voz da montanha

palavra silêncio

sangue partilhado

sob o céu

humanos corpos

pedaços de tempo

areias

cantam sereias


conchas caranguejos

pequenos passos sob as nuvens sob o universo 

 

a minha alma

magoada è um barco âncorado

no porto da tua indiferença

por te amar deste jeito sem jeito

para te amar encontrei a luz

rasguei o céu e entrei no coração

do universo e beijei a lua

por te amar assim deste jeito

sem jeito para te amar


 

apartei - me de ti

para beijar a lua

e amar as estrelas

que pedir a Deus ?

o amor que ousei

sentir por ti està caído

na lama o amor partiu - se

estamos nòs mas divididos

que antes aguentamos a besta

e a fadiga nos vacina
 

domingo, 25 de abril de 2021

por dizer

infância do inverno as maçãs amarelas

 ainda suspensas da nudez de uma árvore

 o resto do invisível veado na primeira neve 

e depois que não cessa de nada nos arrependemos 

como se pudéssemos ancorar no silêncio deste

singular momento de luz

 

narrativa

porque o que acontece jamais

 acontecerá e o que aconteceu

 de novo acontece incessantemente 

somos como fomos tudo mudou em nòs 

se falamos do mundo è apenas para deixarmos

o mundo ...
 

entre linhas

reclinados sobre pedras os caminhos da lonjura 

e na tua palma escrita a estrada o lar não è pois

 o lar mais a distância entre abençoado e quem

 quer que envergue a pele de um irmão da màgoa 

provará no sètimo ano presente por entre as coisas ...

 

em memória de mim mesmo

tão somente ter cessado 

como se eu pudesse começar

 onde cessou a minha voz

 eu mesmo o som de uma palavra 

que não consigo articular tanto silêncio

para trazer a vida nesta cerne apreensiva

o ribomber  do tambor das palavras na

interioridade tantas palavras perdidas

na amplitude do meu mundo interior

e assim ter sabido que apesar de mim

eu estou aqui como se fosse isto o mundo
 

rocha mãe

o amanhecer como uma 

imagem do amanhecer 

e o céu mesmo sobre si

 desabando irredutível

 imagem de água pura

os poros segregando luz

tal colheita que apenas

a luz será capaz as pedras

mesmas imorreduras na

imagem de si a consolação

de cor

olhar

seja là o que for 

que o meu olhar me 

traga como se finalmente

 me pudesse ver a capitular

 perante as invisíveis coisas 

que nos levam de par como nòs

mesmo e todas as crianças por

nascer rumo ao mundo
 

mulher

apenas  momentos antes da bela mulher 

que esteve diante de mim ter dito o quanto 

desejava uma criança e como o tempo nela 

começava a falar dissemos que ambos devíamos 

escrever um poema com as palavras uma pequena

 brisa a perturbar uma fogueira desde então nada

significou mais do que um pequeno acto presente

nestas palavras o acto de tentar dizer palavras que

significam quase nada atè ao derradeiro final quero

ser igual ou seja là o que for que o meu olhar me traga

como se me pudesse ver a capilar perante as invisíveis

 coisas que nos levam de par como nòs mesmos
 

quase nada

ali se acha uns poucos tufos de branco 

preguiçosamente atirados contra o puro

 negro do fundo nada mais do que um

 pequeno gesto tentando ser nada mais 

do que si próprio e não està no entanto

aqui e para os meus olhos jamais será uma

 questão de tentar simplificar o mundo mas

um modo de estar presente por entre as coisas

que não nos querem mas das quais necessitamos

na mesma medida em que de nòs mesmos necessitamos 
 

demanda de uma definição

sempre o mais pequeno acto possível 

neste tempo de actos maiores que a vida

 um gesto rumo ao que passa quase invisível

 uma pequena brisa a perturbar uma fogueira 

por exemplo que encontrei no outro dia por acidente

numa parede de museu
 

busco o halo azul

da nossa alma na prevalência eterna dos teus lábios  e nos próximos deslumbramentos resplandecem mirados de pétalas na profusão mágica do re...