estarei morto
se me sonhaste um deus
teu sonho amor è maior
que nòs dois barcos na dor
de saber que chamais achará
porto saliente pedra vã estarei
morto sonha - me um verme
ou então uma flor que o teu
sonho será ainda maior que
nòs dois ...
estarei morto
se me sonhaste um deus
teu sonho amor è maior
que nòs dois barcos na dor
de saber que chamais achará
porto saliente pedra vã estarei
morto sonha - me um verme
ou então uma flor que o teu
sonho será ainda maior que
nòs dois ...
o ar que respiramos esta ardente
nuvem que nos esconde e inicia
no segredo da sombra transparente
respiras e caminhas na harmonia
perfeita do teu corpo asas de essência
na treva constróis a incandescente crisàlida
do homem geometria da espécie radiosa ...
meu amor que a planície de fogo e pensamento
nos sustenta que rubro pão de dor ... que se transmuda
em carne sonho e vento morras a cada instante fràgil
flor que importa ... de sonhar - te me alimento ...
deixei o meu corpo junto a luz
e cantei a tristeza de que nasce
apenas a sede o silêncio nenhum
encontro ... cuidado meu amor com
a silenciosa noite no deserto com que
viajo de copo vazio e como a sombra
da tua sombra ...
ea fonte para mata - la aqui
cèu horizonte e voo a fuga
a súbita viagem ... não conheço
não sei de outro país ò meu amor
feliz ou infeliz porquê que me
escondes a minha própria imagem ...
angùstia que è prazer surda harmonia
todo o bem todo o mal dor alegria
abutre e pomba luz que me devora
prisão de onde não quero ir embora
jardim de vidro negro dia claro cavalo
de fogo ácido agonia dos infernos os céus
os aviões na aurora ...
Os meus beijos são carícias
são um jorro reminiscente
de musica sobre fonte de Roma
ninguèm pode fugir ainda do seu
território anímico não há rotas nem
dobras nem insectos tudo è tão limpo
que as minhas lágrimas sublevem - se ...
a minha criação è um ponto reminiscente
junto a tua ternura um golpe de alba nas
flores abandona - me ébrio de nada e de luz
lilás ébrio de imobilidade e de certeza fica
longe dos nomes que tecem o silêncio das
coisas ...
è um para-queda perfeito
è um dique que se exala
e o seu peito se faz imenso
o meu amor não ruge não
roga não ri o seu corpo
è um olhar a sua pele
um mapa mundial
as minhas palavras perfuram
o último sinal do teu nome ...
olhos de sereia luzindo
ao amado sol
a maais próspera boleia
na tua humildade saboreia
- se o clima ameno e suave ...
dà - se voltas e voltas e os pesadelos
apoderam - se da noite que se torna
fria e sombria porque os sonhos deixaram
de comandar pois o barco do abstracto
da fantasia sem dor que è a maquina que
nos leva para o paraíso para apenas sonhar
e quem sabe amar ... a luta continua nem
que seja para alcançar a liberdade de sonhar
nem que seja para alcançar a Vitória a liberdade
de sonhar numa selva que è a vida insónias da noite
que jazem por nos insultar ...
leve deste unânime deus ausente
vejo através das tuas lágrimas
a lente que a minha alma se habitou
a decifrar o amor que o meu coração
nutre por ti è outra coisa chora num
amor a salvar - nos assim ...
para te dar e um beijo tão profundo
para te dar tenho um querer mais do
querer e um poema triste sò desespero
tenho o segredo desvendado ... Deus
està no mundo e op mundo està nele
sempre como no principio num fulgor
comprido na radiosa concavidade azul
adeus a memória do teu sorriso a imagem
que detenho numa placa jaz um nome onde
me perco sempre que me deixo acordar descansa
no meio da poeira a terra a tua amante serei o mar
que hoje entre algas amènomas e cores a voar atè onde
o sol não cega ...
no sangue ròi o amor a beleza
suave do teu corpo um rato imundo
faz ninho no teu peito ... apenas a
amizade se lembra do amor
ouve esta cantiga è moderna
por ser tão antiga apenas a amizade
decora esta letra e liberta o poema
rapa a paz rapaz não chores rapariga
a humanidade toda è tua fiel amiga
lembra - te desta letra e liberta o poema ...
vejo como a vida è fugaz e ainda não partiste
no trilho da lua està uma sombra perdida tremida
lucidez uma voz cansada um pensamento permanente
uma alma que lhe mente um rato imundo cresce em cada sonho cresce em cada palavra devora o pão que comes a cama em que te deitas devora amigos família e namoradas um rato imundo faz uma cova no teu peito ...um rato imundo habita no que fazes no que pensas no que dizes devora família amigos o heroísmo que nos resta a mão que entregamos confiantes ...
tornou - se o peso aos seios
e concordei depois seguiram
os dedos macerados a compôlos
mais tarde pedi aos lábios que me
identificassem o grão dos teus mistérios
depois a boca a mentir - te ...
as mãos em sobressalto
preso no escuro
ensejo pelo dia de me libertar
de um mundo que me cansa
em batalhas com convicção
nas palavras que se repetem
e que caem no esquecimento
tornam - se em sonhos e quimeras ...
Tu e Eu
sem ti não sei viver
Amo - te ...
e a alma continuava vazia e o louvor para
chegar vive entre margens estreitas cúmplice
a indiferença è feroz
o egoísmo è uma noz
preconceitos no olhar
que são lanças a vulgarizar
o silêncio dos lugares
balanço provisório
foram as minhas escolhas
causas perdidas a alma andava
vazia e a alegria por singrar ...
tira - me deste abismo
liberta - me desta sombra
onde estou preso no absurdo
quero voar contigo sem parar
na cólera do vento que me vai
libertar ...
ou a branda avena não dissessem mais
e mais ... mas dizem sem eu querer
dizer na ideia das coisas que as sei
soube ouvir dizer a tudo o que me
rodeia eu que tanta dor assisti quando
nem mesmo existia tanto alto sonho nutri
que posto a cantar -me ouvi a imensa heresia alegria ...
e penso no que os homens pensam
delas ... rio à janela a observar o
mundo ... e ao admirar as estrelas
do céu qual não è o meu espanto
quando oiço a voz da minha alma
a voz do meu silêncio que ia
suspirando ... pois que desta vida
pequena que arrasto entre naturais
O mistério das coisas onde onde està
que não aparece pelo menos a mostrar -
nos que è o mistério que sabe o rio
e que sabe a árvore e eu que não sou
mais do que eles que sei eu disso ...
imaculado de encanto passa uma
borboleta por diante de mim e pela
primeira vez no universo eu reparo
que a borboleta não tem cor nem
movimento ... no movimento da borboleta
o movimento è que move o perfume è que
tem perfume no perfume da flor a borboleta
è apenas borboleta e a flor è apenas flor ...
lutar e continuar sempre
com os olhos postos no horizonte
na colina da vitória que queremos
todos nòs alcançarmos para fazer
a nossa própria história ...
o silêncio das noites em branco
imaculada de encontros ...
numa estrada encarcerada em que o
silêncio è uma agonia numa competição
que è uma heresia ... para não te martirizes
nem sofras pois isso mataria - me um pouco
de nòs ...
morro vivo ... sò o silêncio
è sagrado violentíssimo ágil
e antigo nada mais forte nada
mais inocente que manter e sentir
o anonimato no pleno exercício
do amor ... denso o ècran duro
da cal o sem abrigo o rouxinol
o assustar - me o pardal ....
um segredo simples revolucionário
rompido ... o teu colo è coeso a tua
hábil firme lenta mão acariciando
o fogo do violino ... o amor è politico
não è nada comigo o olhar acesso de um
menino enorme a descer a abrir o mundo
amo - te quando sem queres proteges - me
do medo um caule explode ... escreves uma
árvore plantas um filho ...
sò calor e humidade ar de uma fala para um fôlego já è
diferente de tudo que eu criei posso extinguir ... estou
a espera de um livro ... não confundo plenitude com
literatura e falar de arte para o umbigo não faz o meu
género ...
as minhas penas são apenas árvores
os meus pès raìzes ... os poemas
de amor já foram escritos e escondidos
excepto um o da proporção amar e ser
amado na lâmina do mundo inteiro mulher
homem criança animal etc ... pelo que lhe
desejo a mesma febra que sinto ...
as coisas de ser de quem as estima e não
de quem as possui ... o coração sò flui se
ser bom for um dever ... bonito um direito
tempo mesmo que não gostes de mim
hei - de ser o teu melhor amigo a história
sempre te traiu mentiu mas tu sábio sempre
corrigiste com elegância e compreensão digo
isto porque foi assim que a minha cabeça se abriu
e o meu corpo aprendeu a flutuar ... sò quero o teu
bem minha querida amiga invesìvel mas atenta ...
com olhos doces estendendo - me
os braços e seguros que os ouvisse
eu olho com olhos laços há nos
meus olhos ironias e cansaço
e cruzo os braços ... a minha glória
è essa não acompanhar ninguém criar
desumanidade que eu vivo com o mesmo
sem - vontade em que rasguei o ventre a minha mãe ....
è que o o afagam em vão
cada coisa a uma sò voz a morte
vem para sempre a vida vem sò
uma vez ... mudem os ventos
as searas de Van Gogh verão
sò a cor dos campos amarelos
intactos vermelhos infinitos
vertente ou vontade virtude
ou variante a arte nunca se
repete ...
a chama se colhida livre por qualquer alma no
instante da tua cruzar a minha ... toda a revolução
sò è romântica se o lugar da fala chegar a escrita sem
usar uma arma de fogo ... há um íntimo suor animal
que nos perfuma e ata a morte ao amor a sã irreverência ...
unidade harmonia fio condutor
linha contínua corpo virtual
confundir o desamor com o amor
real ... dizer bem è redundante
dizer mal è irrelevante ignorar
uma táctica suja muito perigosa
espiã ou cobarde atraiçoa a arte
sublinha a cobiça que leva o mediòcre
ao limite da loucura ....
sò amo
sò o amor une grande
a independência a liberdade
não ler è ter vergonha
de perguntar amas - me ?
há uma razão essencial para os poetas
se repetirem e os homens não os ouvirem
não ler è como ir ver o mar e não olhar
para o mar ...
o que pede sò dou a forma
como pede
No amor sò dou o que o amor
me pede não dou a forma como
pede ... e a vida peço me dê leve
aquilo que ninguém pede
è tomar a bica sem paixão è remar contra a maré
è sentir o tilintar da refeição na rua calar a verdade
da própria solidão como è triste a solidão numa longa
noite de inverno ... solidão è viver sozinho sem sequer
um carinho um afecto depois de uma vida inteira a trabalhar porém ainda mais triste è a solidão que persiste
em pleno verão em dò maior em dor profunda nostálgica nocturna de Chopin numa sonata quente de Mozart melancolia num dia de sol ardente ... mà fortuna que se sente e não se vê a flor que mata sem sequer saber porquê ....
as palavras que doem em silêncio
preto no branco as vozes do silêncio
dedicado a Ana Pereira
Sò cà vim ver o sol ... solidão è sentir o pè as fugir
no meio da multidão è tomar um café sem paixão
è remar contra a maré
das cidades e eliminas o
ensurdecedor protagonismo
de Deus
escolhes sentar - te no âmago
das palavras e queres viver
procuras uma casa para esboçar
em fogo o surdo triunfo das
metáforas fora ...
que aguda esperança pode ser a sua morfina
recolho um rosto esquivo de aves e sobrevoas
os destroços que denunciam o amor ...
da nossa alma na prevalência eterna dos teus lábios e nos próximos deslumbramentos resplandecem mirados de pétalas na profusão mágica do re...