ainda suspensas da nudez de uma árvore
o resto do invisível veado na primeira neve
e depois que não cessa de nada nos arrependemos
como se pudéssemos ancorar no silêncio deste
singular momento de luz
ainda suspensas da nudez de uma árvore
o resto do invisível veado na primeira neve
e depois que não cessa de nada nos arrependemos
como se pudéssemos ancorar no silêncio deste
singular momento de luz
acontecerá e o que aconteceu
de novo acontece incessantemente
somos como fomos tudo mudou em nòs
se falamos do mundo è apenas para deixarmos
o mundo ...
e na tua palma escrita a estrada o lar não è pois
o lar mais a distância entre abençoado e quem
quer que envergue a pele de um irmão da màgoa
provará no sètimo ano presente por entre as coisas ...
como se eu pudesse começar
onde cessou a minha voz
eu mesmo o som de uma palavra
que não consigo articular tanto silêncio
para trazer a vida nesta cerne apreensiva
o ribomber do tambor das palavras na
interioridade tantas palavras perdidas
na amplitude do meu mundo interior
e assim ter sabido que apesar de mim
eu estou aqui como se fosse isto o mundo
imagem do amanhecer
e o céu mesmo sobre si
desabando irredutível
imagem de água pura
os poros segregando luz
tal colheita que apenas
a luz será capaz as pedras
mesmas imorreduras na
imagem de si a consolação
de cor
que o meu olhar me
traga como se finalmente
me pudesse ver a capitular
perante as invisíveis coisas
que nos levam de par como nòs
mesmo e todas as crianças por
nascer rumo ao mundo
que esteve diante de mim ter dito o quanto
desejava uma criança e como o tempo nela
começava a falar dissemos que ambos devíamos
escrever um poema com as palavras uma pequena
brisa a perturbar uma fogueira desde então nada
significou mais do que um pequeno acto presente
nestas palavras o acto de tentar dizer palavras que
significam quase nada atè ao derradeiro final quero
ser igual ou seja là o que for que o meu olhar me traga
como se me pudesse ver a capilar perante as invisíveis
coisas que nos levam de par como nòs mesmos
preguiçosamente atirados contra o puro
negro do fundo nada mais do que um
pequeno gesto tentando ser nada mais
do que si próprio e não està no entanto
aqui e para os meus olhos jamais será uma
questão de tentar simplificar o mundo mas
um modo de estar presente por entre as coisas
que não nos querem mas das quais necessitamos
na mesma medida em que de nòs mesmos necessitamos
neste tempo de actos maiores que a vida
um gesto rumo ao que passa quase invisível
uma pequena brisa a perturbar uma fogueira
por exemplo que encontrei no outro dia por acidente
numa parede de museu
que devastam o espírito ao ponto de se
perder o espírito principia com este
pensamento sem rima ou razão e depois tão
somente aguardar como se a primeira palavra
somente após a ultima surgisse após uma vida
à espera da palavra perdida nada mais dizer que
a verdade disto parecem os homens o mundo soçobra
as palavras não tem significado e portanto pedir apenas
palavras muro de pedra coração de pedra carne e sangue
tanto quanto isto mais ...
porque sendo o doce sopro
do vento serás sempre
o meu divino alento correndo
do indivisível devir
là no plácido mar do teu tormento
navegam as mentiras do momento
a coberto da bruma por abrir
não ès mesmo que sejas sombra
e silêncio pressentimento e
transparência uma energia solitária
a pulsar no voo de um pássaro de agonia
na ardente liberdade do destino mesmo que
tenhas sido uma torrente de água pura um
lago de salgadas lágrimas uma fulminante
luz esmeralda ou atè de um barco subtil
não dizes o que não ès o que já não ès
por sermos um mar de serenidade
peito onde pulsam vagas sem idade
rumo a ilha por mim inventada
através das caricias da paisagem
vai desenhando o vento ou a tua
imagem nas nuvens no sol na mais
pura fonte nos rios nas folhas do
arvoredo nas gotas do orvalho
manhã cedo sobre o mar perdido
no horizonte
irrompes dessa irrealidade para
inundares de luz a verdade cativa
na palavra acinzentada
uma torrente de água pura
um lago de salgadas lágrimas
uma fulminante luz esmeralda
ou atè´o abrigo de um barco subtil
não não dizes o que não ès o que
jà não ès
mesmo que sejas sombra
e silêncio pressentimento
e transparência uma energia
solitária a pulsar no voo de um
pássaro de agonia na ardente
liberdade do destino
vai desenhando o vento
a tua imagem nas nuvens no sol
na mais pura fonte nos rios nas
folhas do arvoredo na gotas do
orvalho manhã cedo sobre o mar
perdido no horizonte
por sermos um mar de serenidade
oeito onde pulsam vagas sem idade
rumo ilha por mim inventada
irrmpes dessa irrealidade
para inundares de luz a verdade
cativa na palavra acinzentada
na lei que Deus mostrou
por pedra na missão
que fluída preserva de intenção
no regalo da lua que te dei ...
das tuas asas de ave branca
tu ès a pomba imaculada sem
deixares de ser tão leoa tão
felina como o odor com que me
envolves tão maligna como o amor
que inventei
de ser a pomba que permaneças
poema por seres luz sangue e dor
um suave vento no meu rosto o
selvagem cheiro do amor
fujo de mim em ti por
não saber de ti fugir de mim
agora agarrar a manhã no sol
que desaponta o teu olhar e
parto na vertigem do regresso
no trilho da flor cujo a frescura
o orvalho das minhas mãos vivifica
ou mortifica se não for meu coração
o jardim que procuras para morar
nas asas do vento sobre
um rio sedento de verdade
ao encontro do coração do
tempo que pode ser uma
saudade tão tão sò verdade
ou aè da cor que se se veste
o poema
fujo de mim em ti em ti
para não saber de ti
fugir em mim agarro a manhã
no sol que desperta o teu olhar
e parto na vertigem do regresso
no trilho da flor cuja frescura o orvalho
das minhas mãos vivifica ou mortifica
se não for meu coração o jardim que procuras
para morar
por continuar a ser o que ainda não ès
terás sido alguma vez comigo livre de ti
teràs apagado a noite na comunhão dos
corpos que voaram imateriais como o fogo
que não agarramos mais queima não nunca
poderemos gritar vitória se fecharmos os olhos
à luz multicolor que a tua água traçou no horizonte
na forma de um anel mágico cujo brilho exuberante
se sobrepõe à derrota cronológica biológica tão sem lógica
não fora o lugar de já ter sido sem se
deter mais que na dor de ter sentido
sem sentido algum o fulgor distante
da lua que se alcança e se oculta nos
contornos de sombra dos gestos despertos
na consciência ausente atè ao dia em que a noite
se apague na rèstea de luar que sempre brilha para
là da balbuciante substância para além da oscilante
devaneio como do barco que baloiça sem leme sem
remos nem velas na superfície verde e transparente
dum lago de montanha
duma noite sem sentido sob o sol
sem luz do teu ser perdido que no
peito devia crepitar na calma prateada
do luar estando sem estar sò dividido
já tão cheio de frio que despido projecta
no espaço o seu gritar acredito no eco
suplicante porque sei ser teu uivo delirante
irrompendo febril de sob a terra por não seres
ave migratória que serás se rumares à Vitória da
primeira luz que de nòs emperra
que nòs guardamos latente no cofre
do silêncio reticente de sentidos por
ser nuvem do sol do contacto e suster
no peito que pulsa impaciente a tal
melodia que não desmente a luz
multicolor de te viver e a palavra
que tão bem sabemos feita por nòs clausura
que tecemos para que viva feroz e decidida
indelével no sulco que nos dita ser o rumo do sonho
ou da desdita a senda da vitória nesta vida
flores que o deserto sepulta
na fùria definhadas num caos
agonizantes decepadas na fúria
de presságios predadores
presença cuja luz è repartida
através do seu sempre vibrante
porque não deve abolir o amor
a genes dos afectos na cor da aura
que se move fascinante
o rumo traçado não ilude
os instantes de liberdade vividos
na senda do destino que o sonho
acalenta e reforça sempre que o fogo
da vontade purifica desejos de continua
fusão
mas esse pássaro de energia
fulminante incandescente o
sol do sonho atè ao dia em que
o dia possa ser
afasta a ideia de que a morte
simulada possa reverte memórias
de lugares distantes inverter
projecções de momentos líquidos
na comoção transparente do olhar
belas flores que o deserto
sepulta definhadas num caos
agonizante decepadas na fúria
de presságios predadores
circular tentando inventar o espaço
lúdico na certeza de quem veste
a própria nudez com roupagens
de volúpia lascivamente sob o sol
de cinzas poderá ainda imaginar
um botão de rosa e aspirar anelante
o seu aroma como quem beija um seio
de ternura
se ergue cada sonho na
surpresa da manhã levemente
azul a curiosa expectativa da
noite extinta no túnel estreito
da insónia cruza memórias de
constelações vivas com abismos
obscuros de incompreensível espanto
ainda que o céu nem sempre seja
o que a terra è mesmo sem ser um
astro fulgurante de energia que o sol
aquece e torna verde ou mesmo azul
construímos castelos de ilusão
que a realidade mistifica mas a
matéria nem sempre è fantasia
e uma pedra e outra tomba do
sonho e permanece fluída com
um regato cujo a musicalidade
comove por ser água cristalina
e pura onde o luar reflecte e o
veado mitiga a sede sob a árvore
a quiescente e grata
como o da curvatura do ventre que tornou
a própria perda na mais preciosa energia
do começo por ser sangue água e luz esplendor
e vida ou sò poema
me confundiu como a do fogo
do sussurro que perto ou distante
da matéria se reflecte na lava doirada
que fervilha
os seus dardos de fogo e tu irás
palmilhar o leito de cinzas ao nível
da gelada presunção de nem ter sido
como um lado escuro
sò visível quando as águas
da ria por contar deixam
de pulsar a melodia solar
que se reflecte no seu espelho
anelante
por saberes que nada dizes sobre o que
ambos sabemos embora possas dizer do
que nada que disseste a insustentável
transgressão que desagrega qualquer elo
de fragilidade impossível por ser corrente
deindisivel devir
zona interdita onde a alma pontifica
reflexos distantes mas sempre acesos
como se a linguagem fosse um céu
de estrelas que ora determina o rumo
o norte o caminho do poema que já fomos
nas marcas do tempo que traçaste ora aponta
o rumo do sonho que almejamos por sermos
estrelas do universo que seremos
o aconchego dos teus membros
de espuma e soçobro na água do
teu ventre como se o abraço liquido
dos amantes não fosse o que somos
por sermos um
de tranquilidade sob
o lençol prateado de
vagas onde assoma a
ilha do teu corpo como
um pedaço de areia brilhante
espessa e curvilínea onde dois
pontificam dois seios nacarados
que se oferecem como pérolas
de colheita
da distância anunciada num
farol de proximidade cujo
alcance dissipa cintilações
vacilantes
que trago incandescente
na semântica como se o
sol de cada instante
projectasse no mapa
da tua pele um mar de geladas
labaredas como se o sal de cada
lágrima mais não fosse que um
sémen de penumbra que dizer
do assombroso fogo que trago
incandescente no teu corpo
da nossa alma na prevalência eterna dos teus lábios e nos próximos deslumbramentos resplandecem mirados de pétalas na profusão mágica do re...